A+ R A-

Smartphones

Em pouco tempo, carteiras de dinheiro podem ser substituídas por smartphones

As cédulas parecem estar, aos poucos, ficando cada vez mais escassas na nossa rotina. Alguns usuários até já decoraram o número do cartão de crédito. Realizar pagamentos sem dinheiro vivo está em ascensão, e constantemente novos sistemas e dispositivos estão em desenvolvimento para uma substituição do tradicional papel-moeda. Dentre eles, um se encontra em nosso bolso: o smartphone. Seria então, o chamado pagamento móvel uma moda passageira ou uma real tendência?

Nos dias de hoje, já tornou-se possível, administrar cartões de crédito através do Google Wallet ou Paypal por uma via de armazenamento de dados no Cloud, podendo assim efetuar pagamentos sem notas e moedas em todo o mundo. Uma tecnologia já comprovada, a NFC (sigla em inglês para Near Field Communication ou campo próximo de comunicação), pretende tornar os pagamentos mais fáceis, rápidos e seguros.

Tal tecnologia funciona como um canal de comunicação, uma conexão sem fio entre dispositivos. Hoje, a tendência são os chips NFC. Embutidos em smartphones, eles são escaneados por meio de um dispositivo a laser. O cliente segura o celular diante de um terminal de autoatendimento, e a transação é efetuada. Os chips também podem ser embutidos em cartões de crédito e débito.

Pagando o supermercado via celular

O mercado de sistemas de pagamento móvel, também conhecido por comércio móvel, é altamente disputado. Muitas firmas, incluindo diversas companhias startup, empresas de comunicação ou institutos financeiros querem entrar no segmento.

"O pagamento móvel é mais do que uma moda. Através da grande proliferação de smartphones e tablets, métodos de pagamento móvel tornam-se cada vez mais importantes. Fazer compras via internet se desloca cada vez mais para o celular – o comércio eletrônico se transforma em comércio móvel", declarou Manfred Krüger, presidente da ConCardis, firma que oferece serviços de transações de pagamento sem papel-moeda.

Um aplicativo de táxi como um pioneiro

André Bajorat, especialista em internet banking e pagamento móvel, afirma: "Eu uso os táxis sempre para fins comerciais, mas eu sempre perco as notas fiscais. Com o aplicativo do MyTaxi, isso não acontece mais, já que recebo um e-mail com as notas, e um e-mail não se perde".

Através do MyTaxi, o cliente tem a possibilidade de efetuar transações sem dinheiro em espécie. Ele precisa, apenas, ter uma opção de pagamento através do aplicativo, como por exemplo Paypal ou cartão de crédito. Bajorat, diz ainda que paga o café com moedas e notas, mas, em outros casos, ele tenta sempre pagar da forma mais rápida simples possível.

"Eu carrego meus cartões na pasta, e o dinheiro eu levo no bolso. Eu não possuo carteira de dinheiro. De noite, eu separo as moedas, que acabam parando nas mãos das crianças", conta.

Na Alemanha, a introdução dos tais serviços de pagamentos em nível nacional é tida como uma questão de tempo. "Achamos que, nos próximos anos, a tecnologia NFC prevalecerá, tornando-se algo convencional", disse Steffen Von Blumroeder, da Bitkom, a Confederação Alemã da Economia de Informação, Telecomunicação e Novas Mídias.

André Bajorat disse que vê, curto prazo, uma oportunidade para os comerciantes que ofereçam um modelo de pagamento móvel em seus negócios. “Surgirão muitas possibilidades de armazenamento de dados, como o aplicativo MyTaxi. Trata-se de sistemas fechados, nos quais os comerciantes e os clientes criam o próprio ecossistema. Então ambos serão incentivados a usar esse sistema de pagamento móvel", diz.

O grupo de cafés Starbucks, por exemplo, já lançou nos Estados Unidos esse sistema móvel de transações. A ferramenta, segundo Bajorat, também seria concebível para cinemas ou centros comerciais.

Privacidade em questão

Com a perda ou até mesmo o roubo da carteira de dinheiro, vão-se os muitos cartões, vales e notas. Mas também no mundo digital é possível perder alguma coisa: os próprios dados. Muitos modelos de pagamento ainda estão na fase de testes. Em todos os sistemas, a segurança dos dados e a privacidade são um grande desafio.

Especialmente em sistemas sem fio baseados em tecnologias NFC, o consumidor pode sair perdendo no final: "No momento, a tecnologia ainda precisa de melhorias, particularmente em termos de segurança de dados. Atualmente, a leitura dos chips NFC ainda é mais fácil de interceptar do que se pensava anteriormente", disse Antje Stobbe, analista do Deutsche Bank.

 

Notícias